(Módulo I: A Classificação dos Seres Vivos)
O que é
classificar?
Classificar é algo
que fazemos naturalmente... Ao separar num canto do prato um alimento que eu
não gostamos, estamos separando o grupo dos alimentos que achamos saboroso do
grupo dos alimentos que não achamos saboroso; quando organizamos as roupas no
guarda roupa, estamos agrupando-as de acordo com suas características, por
exemplo, meias e roupas íntimas em gavetas e vestidos ou blusas maiores em
cabides... Podemos lembrar também de como os supermercados são organizados com
sessões de produtos de higiene, hortifruti, açougue, cereais, enlatados,
produtos de limpeza...
Com esses exemplos fica evidente a
importância da classificação no nosso cotidiano, é um comportamento importante
na nossa rotina e facilita muito as coisas. É um ato simples: agrupar coisas (objetos, pessoas, ideias,
músicas etc) de acordo com suas características.
Pense nas vantagens e problemas em
classificar as coisas. Consegue imaginar a nossa sociedade sem esse conceito de
classificação?
Sistemas de
Classificação
A classificação
biológica é muito importante para organizar e facilitar a compreensão sobre os
seres vivos. A área da Biologia que agrupa e nomeia os seres vivos é chamada de
Taxonomia.
O planeta Terra tem aproximadamente 8,7
milhões de espécies eucariontes, de acordo com estudo publicado em 2011 na PLoS
Biology, na estimativa mais precisa já feita sobre a vida no planeta. Desse
total cerca de 1,25 milhões de espécies foram descritas e publicadas desde que o Carl Linnaeus (1707-1778) publicou, em 1758, um
sistema usado até hoje para classificação biológica. É uma grande quantidade de
seres vivos que apresentam diversidade de formas, habitats e adaptações e a
classificação dessa diversidade facilita o estudo sobre esses seres vivos e
podem nos fornecer informações sobre seu caminho evolutivo.
Ao longo dos tempos, os
critérios da classificação sempre estiveram vinculados ao conhecimento
disponível sobre as diferentes espécies. Conforme
a ciência se desenvolveu e o conhecimento em áreas como fisiologia, genética,
desenvolvimento embrionário avançaram, mais critérios passaram a ser
utilizados, além das características mais evidentes.
Aristóteles (Grécia, 384-322 aC), considerado o pai da Zoologia por
seus trabalhos de classificação de animais, classificou os animais em dois
grupos: com sangue vermelho (superiores, vertebrados) e sem sangue vermelho
(inferiores, invertebrados).
Tal
classificação continuou usual por cerca de 2 mil anos e nesse período tiveram
outros cientistas que contribuíram para a área mas os critérios utilizados eram
muito limitados, como por exemplo, a divisão dos animais de acordo com sua
forma de locomoção.
Do
século XVI em diante, os naturalistas começaram a agrupar os seres vivos de
acordo com características intrínsecas, não critérios arbitrários ou
superficiais. Nesse contexto se destaca Carl Linnaeus, ou Lineu, que, como vimos anteriormente, marcou o
início de uma nova era na Taxonomia. Lineu desenvolveu um sistema de categorias
hierárquicas e de nomenclatura binomial que, apesar das limitações, serviram de
base para o que temos atualmente. Ele acreditava que cada espécie não se
alterava e que o número de espécies era constante. Esse princípio é chamado
fixismo e após os trabalhos de Darwin e Wallace, em 1858, sobre a evolução das
espécies deixou de ser aceito. As espécies não são vistas mais como grupos
estáticos de seres vivos, elas sofrem alterações que podem ser selecionadas ou
não pela seleção natural.
Assim,
além de organizar os organismos, a
classificação revela os diferentes graus de parentescos entre as espécies,
baseado na seleção natural. Devido a muitas falhas no conhecimento deste
assunto existem divergência entre os taxonomistas quanto a parentescos e grupos
de espécies, existindo diferentes sistemas de classificação e conforme surgem
novas ferramentas científicas a tendência é que isso continue.
Aqui,
utilizaremos o sistema de classificação de Whittaker, elaborado em 1969, no
qual os seres vivos foram divididos em cinco reinos: Monera, Protista, Fungi,
Animal e Vegetal
Categorias
Taxonômicas
Ou táxons, são
grupos em que os organismos são classificados. As categorias estão organizadas de forma hierárquica de espécie até reino
aumentando o número de organismos agrupados em cada nível e diminuindo suas
semelhanças e grau de parentesco.
Já pararam para pensar o que define uma
espécie? Quando posso afirmar que um indivíduo pertence a mesma espécie de
outro? São perguntas super difíceis de se responder e existem diversos
conceitos que tentam atender essa demanda, propostos por diferentes cientistas
e com abordagens distintas. O conceito que utilizaremos é o conceito biológico de espécie que é
definido como conjunto de seres semelhantes, capazes de se cruzar em condições
naturais, deixando descendentes férteis. Tal conceito não se aplica a todos
os seres vivos e apresenta limitações como, por exemplo, ser válido somente
para espécies com reprodução sexuada, não possibilita uma identificação
imediata, pois não é possível observar a reprodução em todos organismos
recentes e verificar se há descendentes férteis. Novos conceitos tem sido
propostos e é um tema polêmico, mas para os nossos propósitos, o conceito
biológico é suficiente. Procure na internet alguns cruzamentos curiosos como
leão x tigre; jumento/asno/jegue x cavalo/égua; urso polar x urso pardo.
Após a espécie, temos a categoria
taxonômica chamada gênero que agrupa espécies próximas. Um conjunto de gêneros
forma uma família; um conjunto de famílias forma uma ordem; um conjunto de
ordens forma uma classe; um conjunto de classes forma um filo; um conjunto de
filos forma um reino. Abaixo temos um exemplo de classificação de alguns
canídeos:
|
Reino
|
Metazoa (Animal)
|
|
Filo
|
Chordata (Cordados)
|
|
Classe
|
Mammalia (Mamíferos)
|
|
Ordem
|
Carnivora (Carnívoros)
|
|
Família
|
Canidae (Caninos)
|
|
Gênero
|
Canis
|
|
Espécie
|
Canis
latrans (coiote), Canis familiares (cão), Canis lúpus (lobo).
|
Podem existir sub ou super categorias,
dependendo da classificação.
Uma forma de memorizar a sequências das
categorias taxonômicas é lembrar da palavra ReFiCOFaGE, que contempla, na sequência as iniciais dos táxons.
Nomenclatura Binomial
Outra grande contribuição de Lineu para a classificação biológica foi o desenvolvimento de um sistema de nomenclatura. As principais regras desse sistema são:
Outra grande contribuição de Lineu para a classificação biológica foi o desenvolvimento de um sistema de nomenclatura. As principais regras desse sistema são:
- Nome binomial – o primeiro é
referente ao gênero e sempre é iniciado com letra maiúscula; o segundo é o
epíteto específico e sempre está em letra minúscula.
- Latinizado – latim é uma
língua morta, não sofre alterações.
- Destaque no
texto
– em itálico ou sublinhado.
Qual
a importância dessas regras?! Para ajudar a entender vamos pensar na mandioca!
Por quais outros nomes ela é conhecida no nosso país? Macaxeira, aipim...
Imagine em outros países, em outras línguas... É muito nome para uma única
espécie. Já de acordo com o sistema de nomenclatura proposto por Lineu ela tem
um único nome: Manihot esculenta. A
importância é justamente essa, dentro da ciência as espécies apresentam um nome universal, por mais que nomes
populares tenham seu valor e importância dentro dos diferentes contextos em que
são utilizados.
Em
caso de subespécies, o nome que designa é escrito após o nome da espécie: Rhea americana alba (ema branca). Em
trabalhos científicos, depois do nome da espécie, coloca-se o nome de quem a
descreveu e o ano: Treponema pallidum
Schaudin & Hoffman, 1905.
Os 5 Reinos
Em um reino
encontramos uma grande variedade de seres com apenas algumas poucas
características em comum. Até o momento não existe consenso sobre o número de
reinos existentes e menos ainda sobre os organismos que estão em cada um deles.
Aqui utilizaremos a proposta mais aceita nos livros didático, que é a
Whittaker:
|
REINO
|
TIPO DE CÉLULA
|
ORGANIZAÇÃO CELULAR
|
NUTRIÇÃO
|
EXEMPLOS
|
|
MONERA
|
Procarionte1
|
Unicelulares
|
Heterótrofos3
Autótrofos4
|
Bactérias Cianobactérias
|
|
PROTISTA
|
Eucarionte2
|
Uni ou Pluricelulares sem tecido
|
Heterótrofos ou Autótrofos
|
Protozoários e Algas
|
|
FUNGI
|
Eucarionte
|
Uni ou Pluricelulares
|
Heterótrofos
|
Leveduras, Bolores, Cogumelos
|
|
VEGETAL
|
Eucarionte
|
Pluricelulares
|
Autótrofos
|
Árvores, grama.
|
|
ANIMAL
|
Eucarionte
|
Pluricelulares
|
Heterótrofos
|
Insetos, Mamíferos.
|
Os vírus não estão em nenhum dos 5 reinos porque são acelulares. Eles
são considerados parasitas
intracelulares obrigatórios, ou seja, só apresentam características de
seres vivos (metabolismo, reprodução) quando parasitam uma célula hospedeira.
Fora da célula hospedeira, um vírus é uma entidade formada por material
genético envolto por proteína. Devido a suas características não há consenso em
considerá-los como seres vivos ou não.
Não se lembrou ou não conhece o significado de alguns termos
utilizados na tabela dos 5 Reinos? Segue um breve lembrete:
1.
Procarionte – ser vivo formado por célula cujo material genético
não é delimitado pelo envoltório nuclear (carioteca), ou seja, o “núcleo é
desorganizado” e não apresenta organelas membranosas (complexo de golgi,
mitocôndrias).
2.
Eucarionte – ser vivo formado por célula cujo material genético é
delimitado pelo envoltório nuclear (carioteca), ou seja, o “núcleo é
organizado” e apresenta organelas membranosas.
3.
Heterótrofo – organismo que precisa se alimentar de moléculas
orgânicas para produzir energia. Necessita de outros seres vivos para se
alimentar.
4.
Autótrofo – organismo capaz de utilizar a luz (fotossíntese) ou
fontes químicas de energia (quimiossíntese) para produzir seu alimento, a partir
de moléculas inorgânicas.
Evolução e Sistemática
A Sistemática é a área que busca compreender a
evolução dos seres vivos e classificá-los refletindo essa evolução. É uma
tarefa difícil, mas com base em evidências, como fósseis e material genético,
podemos formular hipóteses. A escola de classificação mais aceita é a
Sistemática Filogenética ou Cladística que tenta sugerir os caminhos mais
prováveis para a diversificação dos grupos, que são formados apenas por
organismos que compartilham condições derivadas de uma condição primitiva de um
ancestral em comum.
As relações
entre os seres vivos, na cladística, são representadas por meio dos
cladogramas.
Para entender melhor sobre Sistemática dê uma olhada no link “Sistemática e Evolução para o Ensino Médio”, no final da aula. Mas é para olhar mesmo. É um link muito bom de algo que não conseguimos trabalhar em sala.
Para entender melhor sobre Sistemática dê uma olhada no link “Sistemática e Evolução para o Ensino Médio”, no final da aula. Mas é para olhar mesmo. É um link muito bom de algo que não conseguimos trabalhar em sala.
Exercícios
comentados em aula:
(UFPE)
Para a classificação dos seres vivos, os cientistas baseiam-se em
características importantes, envolvendo o plano de organização corporal,
composição química das proteínas e dos genes. Com base nesses critérios
avaliem, as proposições abaixo, assinale a alternativa incorreta:
a) Os seres vivos que, originalmente eram agrupados em dois Reinos (Vegetal e Animal), são, atualmente, divididos em cinco Reinos: Monera, Protista, Fungo, Vegetal e Animal.
b) Os Vírus estão excluídos dos Reinos propostos por Whittaker porque são acelulares.
c) A Espécie é a unidade taxonômica básica do sistema de classificação biológica e deve ser grafada com destaque dentro do texto e precedida pelo nome genérico.
d) Euraphia rhizophorae, Crassostrea rhizophorae e Crassostrea brasiliana' são espécies de invertebrados que vivem em estuários. Com base nos princípios da nomenclatura biológica, podemos concluir que há maior grau de parentesco entreCrassostrea rhízophorae e Crassostrea brasiliana do que entre Euraphia rhizophorae e Crassostrea rhizophorae.
e) Lineu propôs a nomenclatura binomial que consiste em um nome genérico e um específico dos seres vivos, utilizando, como critério de classificação, o ambiente onde eles vivem.
a) Os seres vivos que, originalmente eram agrupados em dois Reinos (Vegetal e Animal), são, atualmente, divididos em cinco Reinos: Monera, Protista, Fungo, Vegetal e Animal.
b) Os Vírus estão excluídos dos Reinos propostos por Whittaker porque são acelulares.
c) A Espécie é a unidade taxonômica básica do sistema de classificação biológica e deve ser grafada com destaque dentro do texto e precedida pelo nome genérico.
d) Euraphia rhizophorae, Crassostrea rhizophorae e Crassostrea brasiliana' são espécies de invertebrados que vivem em estuários. Com base nos princípios da nomenclatura biológica, podemos concluir que há maior grau de parentesco entreCrassostrea rhízophorae e Crassostrea brasiliana do que entre Euraphia rhizophorae e Crassostrea rhizophorae.
e) Lineu propôs a nomenclatura binomial que consiste em um nome genérico e um específico dos seres vivos, utilizando, como critério de classificação, o ambiente onde eles vivem.
Para
saber mais:
Exercícios da Apostila:
Módulo
I, página 56: 1, 2, 4, 5, 6 (somente a e b), 8
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