quarta-feira, 27 de março de 2013

Aula 3 – Reino Protista 1: Algas


 (Módulo II: Reino Protista e Protozooses)

Reino Protista
         Na Biologia, há grande divergência a respeito da validade desse reino e dos organismos nele inclusos: os protozoários e as algas.
As algas se assemelham às plantas devido a parede celular de celulose e serem fotossintetizantes; no entanto são mais simples, boa parte é unicelular e as multicelulares não possuem tecidos ou órgãos diferenciados. Os protozoários não apresentam parede celular e são heterótrofos, como os animais, mas são unicelulares.

Algas
O termo alga é empregado como designação coletiva, sem valor taxonômico, para seres autótrofos fotossintetizantes que vivem em ambiente aquático ou terrestre úmido, unicelulares ou multicelulares sem formação de tecidos ou órgãos.
As algas possuem pigmentos diversos, responsáveis pelas diferentes cores que podem apresentar, mas entre esses pigmentos sempre está presente a clorofila a, necessária no processo da fotossíntese.
No ambiente aquático, pertencem ao fitoplâncton e, como autótrofas, são produtoras, situando-se na base da muitas das cadeias alimentares. Acredita-se que a maior parte do oxigênio liberado por fotossíntese em todo planeta Terra seja proveniente de algas unicelulares presentes no fitoplâncton.
Certas espécies de algas produzem substâncias utilizadas comercialmente como alginatos (algas pardas - estabilizador de creme dental e sorvete, fabricação do papel), ágar e carrageano (algas vermelhas – industria farmacêutica, cosmética, produção de gelatina e meios de cultura para bactéria).
Vamos estudar alguns grupos de algas. A presença dos pigmentos relacionados com a captção de luz na fotossíntese (pigmentos fotossintetizantes) e o tipo de substância armazenada como reserva são os principais critérios usados para distribuir as algas em diferentes grupos. São eles:  

FILO
PIGMENTOS FOTOSSINTETIZANTES
SUBSTÂNCIA DE RESERVA
Euglenophyta
(Euglenófitas)
Clorofilas a, b ; carotenoides
Paramilo (carboidrato semelhante ao amido)
Dinophyta ou Pyrrophyta
(Dinoflagelados)
Clorofilas a, c; carotenoides, como a peridinina (avermelhada)
Amido e óleo
Bacillariophyta
(Diatomáceas)
Clorofilas a, c; carotenoides, como a fucoxantina (marrom)
Crisolaminarina
Phaeophyta
(Algas pardas)
Clorofilas a, c; carotenoides, como fucoxantina
Laminarina e manitol
Rhodophyta
(Algas vermelhas)
Clorofila a, carotenoides e ficoeritrina (vermelho)
Amido das florídeas
Chlorophyta
(Algas verdes)
Clorofilas a, b; carotenóides
Amido

Euglenófitas (Filo Euglenophyta)
         O nome desse filo tem origem no gênero Euglena, que apresenta organismos unicelulares, fotossintetizantes com 2 flagelos e reprodução assexuada por divisão binária longitudinal. São muito comuns em águas paradas ou pouco movimentadas.Nas espécies de água doce ocorre uma organela citoplasmática chamada vacúolo contrátil que expulsa a água que entra em excesso na célula, devido a diferença osmótica entre o interior da célula e o exterior.
         Neste grupo existem representantes aclorofilados e, portanto, heterótrofos.

Dinoflagelados (Filo Dynophita)
         Compreende organismos unicelulares com representantes fotossintetizantes e representantes heterótrofos, sendo a maioria marinha. Eles apresentam flagelo e endoesqueleto especial formado por vesículas achatadas e membranosas associadas à a membrana plasmática e que podem conter celulose.
São representantes desse filo a Noctiluca, responsável pela bioluminescência observada nas águas superficiais do mar a Gonyaulax, que pode provocar o fenômeno conhecido por maré vermelha. Na maré vermelha ocorre intensa proliferação desses dinoflagelados tóxicos, sob determinadas condições ambientais, formando extensas manchas de cor geralmente avermelhada na superfície do mar, causando mortalidade de peixes e outros animais, além da contaminação de animais filtradores, como a ostra. Se tais animais contaminados forem consumidos pelo ser humano ou por qualquer outro vertebrado, a toxina pode causar distúrbios de gravidade variável dependendo da sua concentração.
         Os dinoflagelados reproduzem-se assexuadamente por divisão binária, mas ocorre também reprodução sexuada com formação de gametas.

Diatomáceas (Filo Bacillariophyta)
São seres unicelulares, comuns no fitoplâncton de mares de água fria. Possuem carapaça (ou frústula) impregnada de sílica formada por 2 partes encaixáveis (valvas). Em alguns locais essas carapaças se acumulam ao longe de milhares de anos formando camadas compactas conhecidas como diatomáceas ou diatomitos, que são usados em abrasivos (polidores e cremes dentais), em filtros e construção civil.
A reprodução pode ser sexuada ou assexuada, sendo esta a mais frequente e realizada por divisão binária.

Algas Pardas (Filo Phaeophyta)
         São multicelulares e em algumas espécies os organismos podem atingir grandes dimensões, como é o caso de algumas espécies dos gêneros Laminaria e Macrocystis frequentes no Oceano Pacífico, que chegam a medir 60m de comprimentos. Formam extensas florestas aquáticas, conhecidas como kelps.

Algas Vermelhas (Filo Rodophyta)
         São as mais abundantes nos mares tropicais. A maioria delas é multicelular.
         Tais algas são usadas na alimentação humana, como é o caso da nori (Porphyra), utilizada principalmente no preparo do sushi, prato típico da culinária japonesa. Essa alga tem sido usada também para combater o escorbuto, graças ao seu alto teor de vitamina C.

Algas Verdes (Filo Chlorophyta)
         Podem ser uni ou multicelulares, sendo principalmente aquáticas, também podem ocorrer em locais úmidos sobre pedras e troncos de árvores.
         Apresentam características que também estão presentes nas plantas como clorofilas a e b, amido como principal material de reserva e parede celular de celulose

Todas as algas são autótrofas?
         Pelo que vimos em alguns grupos acima... Não! O termo “alga” não tem valor taxonômico e o usamos para tratar um grupo de protistas fotossintetizantes que tradicionalmente sempre foram chamados assim. Todas algas multicelulares são fotossintetizantes, mas  dentre os grupos de algas unicelulares existem representantes heterótrofos.
 Peranema é um gênero de euglenófitas em que todas espécies  se alimentam capturando e ingerindo outros protistas. Mesmo indivíduos do gênero Euglena, que são clorofilados, podem perder os cloroplastos se mantidos no escuro e passar a ter alimentação heterótrofa. Voltando a viver em local com luz, os cloroplastos são refeitos e eles voltam a fazer fotossíntese.
Dentre os dinoflagelados, os do gênero Noctiluca, capturam suas presas por meio de um tentáculo que muitos confundem com um flagelo. Existem ainda os representantes do gênero Ceratium que são clorofilados e complementam sua dieta ingerindo pequenos organismos.

Obs. Os ciclos de vida das algas serão comentados após a aula de reprodução e embriologia ou em aula complementar (EAD). Fiquem atentos e a vontade para buscar informações sobre esse conteúdo que não abordamos em sala.

Exercícios comentados em aula:

(UFPI) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto abaixo: “Ocasionalmente, a proliferação intensa de organismos marinhos (que liberam na água uma potente toxina) ocasiona a _________, um sério problema ambiental. Mariscos podem absorver e concentrar a toxina liberada, a qual afeta seriamente o sistema ________ de muitos animais como peixes ou seres humanos, caso entrem em contato com água ou alimentos contaminados. Os organismos responsáveis por este fenômeno são os/as ________.a)    Marés pardas – respiratório – acetabulárias
b)    Marés pardas – locomotor – poríferos
c)     Marés vermelhas – respiratório – macroalgas
d)    Marés oleosas – endócrino – diatomáceas
e)    Marés vermelhas – nervoso – dinoflagelados

Para saber mais:

Algas Protistas

Algas e Ciclos de Vida

Exercícios da Apostila:

Módulo 2: 2, 3, 4, 9

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